quarta-feira, 6 de julho de 2011

DE TA MANEIRA!

DE TAL MANEIRA!
Eu sei que este texto é tão conhecido, tão popular, que ele se tornou cartilha de crente, quase ou literalmente um chavão de pregador quando ele acredita que a igreja não esta dando glória, então eles citam esse versículo na expectativa de causar comoção na igreja, seguidos de gritos de glórias a Deus e aleluias.
E apesar da beleza poética deste texto, é triste perceber que a grande maioria o cita sem dimensionar a complexidade da exclamação do Apostolo João: “amou de tal maneira”; eu fico imaginando o que causou tal perplexidade em nosso irmão João? Afinal de contas estamos falando do Grande Eu Sou, a pura essência de amor.
Logo percebi que o que causou perplexidade em João, não foi o tamanho do amor que Deus sente, mas as circunstancia em que Deus consegue amar; o fato de Deus nos amar é que causou espanto no Apostolo.
Talvez seu extinto de conservação tenha feito você saltar por dentro, afinal seríamos tão runs assim para que Deus não nos ame? Então me empreste o seu coração e perceba que João tinha motivos de ficar perplexo.
Viajam comigo para os dias em que João esteve entre os viventes aqui da terra; e vamos aos momentos finais do ministério de Cristo Jesus em sua vida peregrina aqui nesta terra triste. Ele convoca seus discípulos para irem orar, e chegando ao lugar escolhido por eles a oração, Jesus separa três para conversar a parte, e a eles revela o que estava sentindo: a minha alma esta angustiada até a morte! Parece que posso ver a perplexidade e o pavor nos olhos do apostolo João, a final, ali diante dele estava o Filho do Homem, aquele que se transfigurou no monte Tabor, revelando – se maior que a lei e os profetas, sendo Ele a própria graça; aquele que os maiorais, doutores da lei não podiam superar a intrepidez e autoridade com que falava; aquele que venceu a morte em todas as vezes que a encontrou, aquele que os demônios se submetiam, tamanha é a sua autoridade; aquele que anda sobre as águas; aquele que até o mar e o vento lhe obedecem; este mesmo, diante dele angustiado até a morte; se recolhendo a orar, e pedindo ajuda: velem aqui comigo! Em meio à oração ele lembra a que veio, e o homem Jesus temeu o sofrimento do momento, “um santo homem, com todo o pecado do mundo, e sua sentença sobre ele”, afasta de mim este cálice! Porem o Cristo dentro de Jesus o fortalece, então ele decide: toda via seja feita a sua vontade.
Ao sair do Getsemani, os melhores amigos dormindo, sem dividir com ele a sua angustia, a traição de um amigo seu, que o vendeu, e se vendeu, pelo dinheiro da igreja, as calunias, humilhações, a injustiça, a covardia, a vergonha, os tapas, cuspes; e um velho amigo, um discípulo cujo mestre lhe havia lavado os pés, que vangloriava - se por acreditar ser dentre todos o que mais amava o mestre, o negou por três vezes; o tronco, as varas, o azorrague, e carrascos sem piedade desferindo com alegria e gozo trinta e nove golpes ferozes, e o inocente: shiii... Calado! Como ovelha muda levado ao matadouro! O abandono daqueles que ele curou, alimentou, libertou, purificou, acolheu, protegeu, abençoou, amou; uma noite em jejum, ao amanhecer, feridas coladas em sua veste, que lhe fora arrancada, abrindo os mais de quatrocentos e sessenta cortes feitos pelo azorrague; a multidão: Barrabas o escolheram; o Rei dos reis, misericordioso, que perdoou a todos quantos quiseram perdão, condenado a morte pelos seus súditos, crucifica – o, sentenciaram. A cana batendo a cabeça, a coroa de espinho, os pregos, o filho do homem levantado no madeiro, como ele havia dito: assim como Moisés levantou a serpente no deserto, importa que o filho do homem seja levantado no madeiro; João lembra o que disse Jesus a cerca de seu amor: não existe amor maior do que esse, dar a sua vida pelos seus amigos. Imagino o arrebatamento de sentidos de João, o mestre enfrentava tudo aquilo Por ele, pelos apóstolos, e por seus discípulos; nesta hora, ouve – se o jubilo dos algozes, em meio aos escárnios: se és o filho de Deus, desce daí; e o amigo brada: Pai perdoe – os, pois eles não sabem o que fazem; o espanto de João aumenta, e ele descobre que Jesus também os amava; nesta hora, dois ladros cercavam o Salvador, eles também condenados a cruz, um escarnece, desce daí, e salva a ti mesmo e a nós, o outro defende, nós merecemos esta aqui, mas este é inocente, e reconhece a majestade de Jesus, “Senhor, lembra – se de mim quando entrares no seu reino”, “em verdade eu te digo: hoje mesmo estará comigo no paraíso.”
Um amor que absolve o culpado, que perdoa o transgressor, inclui o excluído, que consola o que chora, que acolhe o abandonado, o amor que o fez descer do céu, mesmo que pra isso ele tivesse que se desfazer de sua glória, se fazer pobre para nos enriquecer, mesmo que não tivesse onde reclinar a cabeça; um amor que ama, mesmo quando é odiado, que acaricia, mesmo quando maltratado, que nunca se esquece, mesmo quando não é lembrado, um amor que cuido, até quando é desprezado. “quantas vezes quis vus ajuntar debaixo de minhas asas como faz a galinha com seus pintinhos e vós não quereis”.
E mesmo sabendo que nos dias de João ele iria ser traído; abandonado; vendido; escarnecido; desprezado; envergonhado; escandalizado; maltratado; entristecido; crucificado; morto; nada disso o impediu de enviar seu filho unigênito; e nos nossos dias? Continuamos querendo o ouro, a prata, e o pão que perece; a abandona – lo; a trai – lo; a vende - lo(com o dinheiro da igreja); a nega – lo; envergonha – lo; a fazer da casa de seu pai covil de salteadores; continuamos excluindo os necessitados; abraçando os ricos e empresários; continuamos querendo crescer; e ele que diminua; desprezando; abandonando o órfão; e devorando as viúvas.
E mesmo sabendo que as praticas ficariam mais horrendas, e que as ofensas, só aumentariam com o surgimento de outras gerações, ele não abriu mão, porque: Deus amou o mundo de tal maneira, que deu seu filho unigênito, para todo aquele que nele crer não pereça, mais tenha a vida eterna.
Pense nesse amor, e corra para os braços do Pai; pense nesse amor, e volte para os braços do Pai; pense nesse amor, e arrependa – se; pense nesse amor, e renove sua aliança com ele; pense nesse amor, e se concerte hoje; pense nesse amor; lembre – se desse amor; nunca se esqueça desse amor.
E o mais importante: procure retribuir esse amor!
Evangelista Athylla Lopes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário